Em meus trabalhos, procuro perceber os espaços que se criam na relação do homem com a natureza, nas relações interpessoais e na relação do homem com ele mesmo.
Estou interessada na percepção dos caminhos e vestígios da linha na natureza, e na percepção das memórias e afetos nas mentes e nos corações. Procuro por inscrições que formam desenhos naturais, como as reentrâncias das rochas e as nervuras das folhas, e por reminiscências e emoções... detalhes, perfeições e imperfeições dos elementos da natureza e dos sentimentos.
Em meus desenhos, gostaria que a linha fosse capaz de “sonhar” no gesto.
Em meus trabalhos, busco a metamorfose em seres que apenas “são” e seguem sem expectativas e dores... como pedras, orvalho, animais e árvores.
Aquele
que não morou nunca em seus próprios abismos
nem andou em promiscuidade com seus fantasmas,
não foi marcado, não será marcado.
Nunca será exposto às fraquezas, ao desalento,
ao amor, ao poema.
Manuel de Barros
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